Antes de chegar à mesa das famílias brasileiras, o arroz
passa por muitas mãos. Começa na lavoura, onde o agricultor enfrenta o clima,
os custos de produção e as incertezas do mercado. Depois, segue para a
indústria, onde é beneficiado, qualificado e preparado para o consumo. Entre o
campo e a mesa, há uma cadeia produtiva que depende de confiança, trabalho
conjunto e compromisso. É essa relação que ganha se reforça nesta terça-feira,
dia 28 de julho, quando é celebrado o Dia do Agricultor.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz de
Santa Catarina (SindArroz-SC), Walmir Rampinelli, a data é uma oportunidade de
reconhecer quem está na base da produção, bem como reforçar a importância da
parceria entre produtores rurais e indústrias para o fortalecimento da cadeia orizícola
catarinense. No Estado, essa integração tem papel direto na produção, na
economia regional e na qualidade do alimento que chega aos consumidores, uma
vez que SC é o 2º maior produtor de arroz no Brasil, sendo responsável por mais
de 10% do abastecimento nacional e gerando cerca de 50 mil empregos.
“Quando muitos ainda estão dormindo, o produtor está indo
trabalhar para colocar o alimento na mesa do nosso consumidor, assumindo um
papel fundamental para a manutenção da cadeia. Neste dia, renovamos o nosso
apreço e gratidão a cada produtor que, mesmo passando por situações difíceis,
como intempéries e preços que não são justos, levanta cedo todos os dias para
colocar a mão no arado, preparar o solo e cultivar esse alimento tão importante
para os brasileiros”, declara Rampinelli.
UMA VIDA LIGADA À LAVOURA
A história de Eliton Dagostim Minatto, de 36 anos, ajuda a
traduzir o que o Dia do Agricultor representa para quem vive o campo desde a
infância. Agricultor “desde sempre”, como ele mesmo define, Dagostim cresceu
acompanhando o trabalho do pai e encontrou na lavoura não só uma atividade
profissional, mas também uma referência de vida.
Hoje, sendo pai de três filhas, ele carrega a
responsabilidade de produzir e, ao mesmo tempo, transmitir os valores que
aprendeu dentro da própria família. Para o produtor, o futuro da família não
precisa estar necessariamente dentro da lavoura, mas ele espera que elas
reconheçam no trabalho do pai um exemplo de dedicação, persistência e respeito
pela agricultura.
“Mesmo em anos bons, o agricultor precisa investir um valor
muito alto na lavoura. Por isso, de todas as nossas qualidades, a mais
necessária é a fé. Não podemos perder a fé, principalmente quando os desafios
batem à nossa porta, porque é isso que nos dá força para persistir até a
próxima Safra”, conta o produtor.
O relato revela uma realidade comum a muitas famílias catarinenses. A agricultura exige investimento, planejamento e coragem para seguir mesmo diante de anos difíceis. Nos últimos períodos, os produtores têm enfrentado desafios como oscilações no preço da saca de arroz, impactos climáticos associados ao El Niño e aumento dos custos de produção. Ainda assim, a atividade segue batendo recordes de produção, sendo base econômica e social de muitos municípios de Santa Catarina.
SINDARROZ-SC: 50 ANOS PELO SETOR ORIZÍCOLA
O SindArroz-SC chegou aos 50 anos de atuação em defesa e
fortalecimento do setor orizícola catarinense. Fundado em 1975, o sindicato
representa as indústrias de arroz de Santa Catarina e atua como elo
institucional entre as empresas beneficiadoras, o mercado, o poder público e os
demais agentes da cadeia produtiva.
Para o presidente da entidade, histórias como a de Eliton
reforçam que a qualidade do arroz catarinense nasce da soma entre tradição,
conhecimento e integração. “Juntos, a etapa produtora e a industrial de arroz
formam uma cadeia que alimenta famílias, gera empregos e mantém Santa Catarina
em posição de destaque no cenário nacional. Neste Dia do Agricultor, a mensagem
que fica é de reconhecimento e continuidade dessa grandiosa parceria”, finaliza
Rampinelli.

