Tradicionalmente ligada à produção de farinha, polvilho,
fécula e derivados alimentícios, a mandioca produzida no Sul de Santa Catarina
começa a ocupar um novo espaço na indústria, agora no mercado pet. A partir
deste mês, uma nova linha desenvolvida pela Rocha Alimentos passará a integrar
um segmento que está entre os que mais crescem no país, utilizando
matéria-prima de origem vegetal para a produção de granulado higiênico para
gatos.
O movimento representa mais um passo no processo de
diversificação da cadeia produtiva da mandioca, cultura que tem forte presença
econômica no litoral sul catarinense. A região concentra cerca de 80% da
produção estadual destinada à indústria, abastecendo um setor que movimenta
centenas de produtores e diversas agroindústrias ligadas ao processamento da
raiz.
Conforme o diretor executivo da Rocha, Cloudo Rocha, a
partir de agora, parte dessa matéria-prima passa a ser direcionada para uma
categoria que vai além da alimentação humana. "Isso amplia as
possibilidades de utilização industrial da raiz e conecta o agro regional a um
mercado que cresce de forma consistente no Brasil", comenta.
Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor
de Animais de Estimação (Abempet), o mercado pet brasileiro faturou R$ 75,4
bilhões em 2024, com crescimento de 9,6% em relação ao ano anterior. O país
está entre os maiores mercados pet do mundo e o avanço da população de gatos
tem impulsionado especialmente o desenvolvimento de produtos voltados à higiene
e bem-estar animal.
Ainda de acordo com Cloudo, o projeto nasceu justamente da
observação desse movimento de mercado e da busca por novas aplicações para um
produto que já faz parte da identidade econômica da região. "A mandioca
sempre teve uma presença muito forte dentro da alimentação, mas ela possui
características que permitem aplicações em diferentes segmentos. O que estamos
fazendo é olhar para uma matéria-prima que já conhecemos e entender de que
outras formas ela pode gerar valor", afirma.
A nova linha utiliza derivados vegetais da mandioca para
desenvolver um granulado higiênico voltado ao uso felino. Entre as
características trabalhadas estão a formação de torrões firmes, absorção rápida
da umidade, redução de odores e descarte mais consciente, aproveitando
atributos naturais da matéria-prima.
Para Cloudo, o lançamento também representa uma mudança de
posicionamento da própria indústria, que passa a dialogar com novos públicos e
mercados. "Estamos falando de uma cadeia que historicamente esteve ligada
ao alimento. Agora, mostramos que a mandioca também pode estar presente em
segmentos completamente diferentes. Isso amplia horizontes para a indústria e
reforça o potencial de inovação que existe dentro do agro", destaca.
A aposta da indústria catarinense também reforça uma
tendência observada em diferentes cadeias agroindustriais: a busca por produtos
de maior valor agregado a partir de matérias-primas já consolidadas no campo.
"Quando conseguimos criar novas aplicações para aquilo que já produzimos,
fortalecemos toda a cadeia. Isso gera oportunidades para a indústria, amplia
mercados e valoriza uma cultura agrícola que tem enorme importância para o Sul
catarinense", ressalta Cloudo.
O lançamento oficial da nova linha ocorrerá durante a
ExpoSuper, feira do setor supermercadista que ocorre entre 16 e 18 de junho, em
Balneário Camboriú.

