O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio das contas bancárias, cartões de crédito e chaves Pix de Eduardo de Oliveira Tagliaferro, seu ex-assessor, investigado por suposto vazamento de conversas internas entre servidores do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A medida, segundo Moraes, é preventiva e busca garantir o andamento das diligências ainda em curso. A decisão ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal, que aponta indícios de violação de sigilo funcional com prejuízo à administração pública.
O que motivou a investigação
A apuração teve início após reportagens da Folha de S. Paulo revelarem diálogos obtidos via WhatsApp entre servidores dos tribunais superiores. O conteúdo das mensagens, ainda sob análise, teria sido compartilhado de forma indevida, levantando suspeitas sobre a quebra de confidencialidade institucional.
Defesa e reação política
A defesa de Tagliaferro solicitou acesso integral aos autos, mas o pedido foi negado por Moraes, que alegou ser prematuro diante da continuidade das investigações. Em nota à CNN Brasil, Tagliaferro criticou a decisão e acusou o ministro de perseguição política: “Ele fez isso com Allan dos Santos, Daniel Silveira, Paulo Figueiredo. Usando a caneta para calar a boca das pessoas que estão denunciando os atos ilegais dele.”
A declaração reacende o debate sobre os limites da atuação do Judiciário em casos que envolvem figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Implicações jurídicas e institucionais
A decisão de bloquear bens e restringir o acesso financeiro de um investigado é uma medida extrema, mas prevista em casos que envolvem suspeitas de obstrução ou risco à investigação. No contexto atual, ela também levanta questões sobre transparência, devido à negativa de acesso aos autos por parte da defesa.
Além disso, o caso ocorre em um momento de crescente tensão entre instituições brasileiras e setores políticos polarizados, o que pode influenciar a percepção pública sobre a atuação do STF.
O que esperar dos próximos passos
A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Federal, e novas diligências devem ser realizadas para esclarecer o envolvimento de Tagliaferro no suposto vazamento. Ainda não há previsão de conclusão, nem de eventuais denúncias formais.
Enquanto isso, o episódio reforça a importância da proteção de dados e da confidencialidade institucional, especialmente em órgãos que lidam com decisões sensíveis à democracia.
Fonte: CNN / Foto: CNN

