A ocorrência de eventos climáticos e a necessidade de
reduzir os impactos sobre a produção agropecuária têm ampliado a busca por
ações de prevenção em Santa Catarina. Entre elas está o Sistema Antigranizo,
que está em processo de ampliação no estado. A tecnologia ajuda a minimizar os
danos ao reduzir o tamanho das pedras de gelo de granizo, que podem se
desintegrar antes de atingir o solo.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado da
Agricultura e Pecuária (Sape), por meio de convênios com as prefeituras para a
instalação e manutenção do sistema.
Até o momento, há convênios autorizados para a implantação
do Sistema Antigranizo em 27 municípios, com valor total autorizado de R$ 17,6
milhões. Outros 10 municípios já manifestaram interesse na adesão ao sistema.
Por meio desses convênios, há 228 geradores autorizados (em funcionamento ou em
fase de implantação).
Em 2025, eram 13 os municípios contemplados por convênios.
Em 2026, o número passou para 27 municípios, um aumento de 14 municípios, o que
representa crescimento de 107,7%.
“O aumento da procura pelo Sistema Antigranizo mostra que a
tecnologia tem apresentado resultados nas regiões onde já está implantada. Com
a ampliação da cobertura, mais áreas produtoras poderão contar com esse sistema
de prevenção, ajudando a reduzir os danos das tempestades à produção agrícola e
aos municípios catarinenses”, afirma o secretário de Estado da Agricultura e
Pecuária, Admir Dalla Cort.
Como funciona o sistema
O Sistema Antigranizo é integrado às informações dos radares
meteorológicos e utiliza geradores de solo que queimam iodeto de prata e lançam
o composto nas nuvens que estão com condições favoráveis à formação de granizo.
Cada gerador possui uma área de cobertura com raio de aproximadamente 5
quilômetros. “O processo trabalha na nuvem para diminuir ou impedir o granizo.
Ao invés de termos pedras grandes, formam-se muitas pequenas, que na queda
podem se dissolver ou chegar ao solo com tamanho reduzido”, explica o
meteorologista João Luís Rolim, diretor da AGF Antigranizo Fraiburgo, empresa
que opera o sistema.
Histórico do sistema em Santa Catarina
O Sistema Antigranizo começou a ser utilizado em Santa
Catarina inicialmente voltado à proteção da cultura da maçã, a partir da
mobilização da própria cadeia produtiva.
Com a ampliação da utilização do sistema e a experiência
acumulada pelos produtores, a tecnologia passou a atender outras regiões e
culturas. A expansão ocorreu inicialmente para áreas de produção de tomate em
Caçador e, posteriormente, para outros municípios e atividades agrícolas.
Na prática
O gerente comercial de uma empresa de frutas e boxista da
Ceasa-SC, Ricardo Camilo, destaca que o Sistema Antigranizo tem contribuído
para reduzir os impactos das intempéries sobre a produção de frutas.
“O Sistema Antigranizo é muito importante. Quem tem essa
tecnologia no pomar reconhece a importância dela para uma boa colheita. É um
ganho para Santa Catarina, principalmente pelo custo-benefício. O sistema ajuda
a proteger a produção, evitando que as frutas sejam machucadas e percam
qualidade. Isso permite que uma fruta melhor chegue aos boxistas e ao
consumidor, contribuindo também para uma melhor remuneração do produtor ao
revendedor”, afirma.