O mercado de arroz continua a trajetória de recuperação dos
preços em setembro. Esse comportamento reflete a baixa oferta do produto no
mercado, resistência dos produtores em ampliar as vendas e variação da demanda
ao longo do mês.
Os dados são um dos destaques da edição de outubro do
Boletim Agropecuário, publicação do Centro de Socioeconomia e Planejamento
Agrícola da Epagri (Cepa), que reúne indicadores atualizados e análises
técnicas sobre as principais cadeias produtivas catarinenses.
Em setembro, a saca de 50 kg atingiu R$ 71,92 em Santa
Catarina (+10,53% ante agosto) e R$ 80,79 no Rio Grande do Sul (+8,82%), ritmo
que continuou nos primeiros dez dias de outubro, com médias parciais de R$
73,52 (+2,2%) e R$ 82,81 (+2,5%), respectivamente. Paralelamente, a balança
comercial de janeiro a setembro fechou favorável ao país, com US$ 388,70
milhões em exportações contra US$ 318,80 milhões em importações, liderada pelos
gaúchos com US$ 373,64 milhões (96,1% do total nacional) e seguida pelos
catarinenses com US$ 9,20 milhões (2,4%), valor que supera em 4,3 vezes o
acumulado de todo o ano de 2025.
Para a safra 2026/27, a Epagri/Cepa projeta recuo de 7,3% na
produção e na produtividade em Santa Catarina devido a chuvas associadas ao El
Niño, com expectativa de colher 1,2 milhão de toneladas e rendimento de 8.369
kg/ha em 143,4 mil hectares mantidos. A atividade permanece concentrada no
Litoral Sul (67,4%), área prevista para sofrer o maior impacto, no Litoral
Norte (23,5%) e no Alto Vale do Itajaí (9,1%). Atualmente, 66% da área
projetada está plantada, sendo que 89% das lavouras apresentam boas condições;
os 11% restantes, em situação média (8%) e regular (3%), foram atingidos por
enchentes no Sul e no Alto Vale do Itajaí e passaram ou passarão por replantio.