SC e RS investem nas culturas de inverno

Santa Catarina tem um déficit anual de quase 5 milhões de toneladas de milho

A redução do déficit de milho e a queda de custos de produção de aves, suínos e gado leiteiro estão entre as prioridades dos criadores e das agroindústrias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Com uma cadeia produtiva de proteína animal em plena expansão a iniciativa ganhou ainda mais força com a união de lideranças catarinenses e gaúchas na busca por alternativas para aumentar o fornecimento de insumos.

Santa Catarina tem um déficit anual de quase 5 milhões de toneladas de milho e, o Rio Grande do Sul, igualmente, importa 4 milhões de toneladas/ano, o que representa uma demanda de 9 milhões de toneladas que os dois Estados do extremo sul precisam buscar em outros mercados, do País ou do exterior.

O objetivo é apostar em novos cultivares de cereais de inverno no Sul do País, incentivando os produtores rurais a investirem no plantio de trigo, triticale, centeio, aveia e cevada. O andamento do projeto que envolve a Embrapa nas duas Unidades - Concórdia (SC) e Passo Fundo (RS) - vem sendo discutido e está ganhando forma com a parceria de lideranças dos dois estados e apoio de lideranças nacionais.

Em recente encontro da FAESC, FARSUL e Secretaria da Agricultura de SC na sede da Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia, o presidente da FAESC, José Zeferino Pedrozo, realçou que a união de esforços dos dois estados para reduzir a escassez de milho encontrou amparo na pesquisa. Segundo ele, a única matéria-prima que sempre será difícil é o precioso cereal milho.

"Da mesma forma que outros países, nós temos que encontrar o sucessor deste grão. A Inglaterra tem uma variedade de trigo especialmente para rações de animais. Com o tempo chegaremos lá. Assim como o Brasil segue dando lição de produtividade nas suas novas fronteiras agrícolas e está se transformando em um dos maiores produtores de grãos do mundo, também encontraremos cereais que se adaptam à nossa realidade do sul do País, ou seja, cereais que substituam o milho - grão que temos dificuldades em produzir".

O presidente da FAESC reforçou, ainda, que o projeto envolvendo os dois estados será a solução para esse grave problema. "Iniciamos esse movimento em Santa Catarina, mas existem limites territoriais e o Rio Grande do Sul tem essa potencialidade. Com engajamento das lideranças do agro dos dois estados e com a participação da agroindústria nacional, que é parceira desse programa, teremos em médio prazo uma solução".




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