O programa Mais Médicos, criado em 2013 para ampliar o acesso da população brasileira a serviços de saúde, voltou ao centro de uma polêmica internacional. O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, decidiu revogar os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales, ex-secretário do Ministério da Saúde, e de Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo brasileiro, em represália à participação de médicos cubanos no projeto.

Segundo informações do portal G1, a medida foi anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que classificou a iniciativa como um “golpe diplomático inconcebível”.

O que é o programa Mais Médicos

Criado no governo Dilma Rousseff, o Mais Médicos buscou reduzir a escassez de profissionais em regiões periféricas e em municípios do interior. O projeto prioriza brasileiros formados no país, mas também abriu espaço para médicos formados no exterior e estrangeiros habilitados.

De acordo com dados oficiais citados pelo Infobae, atualmente o programa conta com 26.414 profissionais em atividade, sendo 2.659 médicos cubanos, o equivalente a 10% do total.

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Críticas dos EUA e acusações contra Cuba

Na visão do governo Trump, a participação dos médicos cubanos configura uma forma de exploração. “O Departamento de Estado está tomando medidas para revogar vistos e impor restrições a funcionários do governo brasileiro e da Opas [Organização Pan-Americana da Saúde], cúmplices do esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano”, afirmou Rubio.

O secretário também alegou que a Opas teria atuado como intermediária entre Brasil e Cuba, permitindo que pagamentos devidos aos médicos fossem direcionados ao governo cubano, o que, segundo ele, driblou sanções impostas pelos EUA a Havana.

Medida segue padrão de sanções a outros países

A ofensiva contra o Mais Médicos não é isolada. Washington já havia adotado medidas semelhantes contra autoridades de países africanos, de Cuba e de Granada, sob a justificativa de que esses governos privaram cidadãos cubanos de acesso a cuidados médicos.

No caso brasileiro, a acusação é de que houve violação de requisitos constitucionais e desrespeito a normas internacionais, o que teria justificado a inclusão de ex-funcionários na lista de sanções.

Mais um capítulo das tensões entre Trump e Brasil

Essa decisão se soma a uma série de embates diplomáticos recentes. O ex-presidente norte-americano já havia imposto tarifas a produtos brasileiros, restringido vistos de integrantes do Supremo Tribunal Federal e até aplicado a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.

A medida atual reforça a percepção de que o programa de saúde pública brasileiro tornou-se alvo de disputas políticas e geopolíticas que vão além da questão médica. A polêmica abre espaço para debates sobre soberania nacional, direitos trabalhistas e o futuro da cooperação internacional em saúde.

Fonte: G1 / Foto: Freepik - slon

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