Cinco dias após o início da tarifa adicional de 50% aplicada pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros, Joinville e Jaraguá do Sul aparecem entre as dez cidades do Brasil mais impactadas. O levantamento, feito pelo Estadão com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), leva em conta o volume de exportações dos itens agora taxados no último ano.

Produtos atingidos e posição das cidades catarinenses

Entre os itens que passaram a ser tarifados estão café, carne bovina, frutas, produtos têxteis, calçados, móveis, máquinas e equipamentos.
Jaraguá do Sul ocupa a 6ª posição no ranking nacional, com US$ 245 mil em exportações de máquinas e aparelhos elétricos, além de equipamentos de gravação e reprodução. Já Joinville aparece na 9ª colocação, com US$ 228 mil exportados em caldeiras, máquinas e instrumentos mecânicos.

Ambas as cidades também figuram em outras posições do levantamento com diferentes produtos, reforçando o peso do mercado norte-americano para suas economias.

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Reação das prefeituras e pleitos ao Governo Federal

Desde o anúncio, lideranças municipais têm se mobilizado para minimizar os impactos. Em Brasília, o secretário da Fazenda de Joinville, Fernando Bade, participou de reunião da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) com o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin. O principal pedido foi incluir produtos automotivos de linha média/pesada na lista de exceções à tarifa, além de medidas compensatórias como a retomada do Reintegra, desoneração da folha e linhas de crédito subsidiadas.

Em Jaraguá do Sul, a Secretaria da Fazenda também articula ações para enfrentar o impacto orçamentário. O secretário Tiago Coelho Przywitowiski destacou que, com a futura implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a mudança da base de arrecadação para o consumo e não mais para a origem de produção pode prejudicar cidades industriais de pequeno porte populacional.

Impacto econômico e setores mais vulneráveis

Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o Estado pode ter queda de até 0,3% no PIB em até dois anos devido ao tarifaço, afetando setores como madeira, móveis, máquinas, motores, compressores, carnes, mel e pescado.
O economista-chefe da entidade, Pablo Felipe Bittencourt, afirma que empresas com produção quase totalmente voltada ao mercado norte-americano já registram queda de pedidos e redução de embarques. Algumas iniciaram férias coletivas ou demissões, gerando efeito cascata sobre fornecedores e prestadores de serviço locais.

Fonte: NSC Total / Foto: Redes sociais, Reprodução

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