A relação comercial entre Brasil e China acaba de ganhar um novo capítulo. Em 30 de julho de 2025, a Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) habilitou oficialmente 183 empresas brasileiras para exportação de café ao país asiático. A informação foi divulgada pela Embaixada da China no Brasil em sua conta na rede social X (antigo Twitter) e repercutida pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.
A autorização tem validade de cinco anos e representa uma nova janela de oportunidades para o setor cafeeiro nacional, que busca alternativas em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos — até então, o principal destino do café brasileiro.
Um mercado promissor, mas ainda tímido
Apesar da relevância da China como parceiro comercial do Brasil, as exportações de café ainda são incipientes no país asiático. Em 2024, os chineses ocuparam apenas a 14ª posição entre os maiores compradores de café do Brasil, com a importação de cerca de 55,9 mil toneladas, o que gerou uma receita de US$ 216,28 milhões, segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas do agronegócio brasileiro.
No primeiro semestre de 2025, foram 31,5 mil toneladas, movimentando US$ 196,97 milhões. Os números são promissores, mas ainda modestos diante da liderança dos Estados Unidos, que, apenas neste primeiro semestre, compraram 190,7 mil toneladas do grão.
Potencial de crescimento: uma oportunidade para o Brasil
Embora o consumo de café na China ainda seja baixo em comparação ao padrão global — cerca de 16 xícaras por pessoa ao ano, frente a uma média mundial de 240 xícaras, segundo dados do setor — o interesse pela bebida vem crescendo de forma acelerada. Entre 2020 e 2024, as importações líquidas de café da China aumentaram mais de 6 vezes, o que indica uma mudança de hábitos no país tradicionalmente associado ao consumo de chá.
Além disso, a China abriga hoje a Luckin Coffee, maior rede de cafeterias do país, com mais de 22 mil lojas. Em 2024, a empresa firmou um memorando de entendimento com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), com o compromisso de comprar cerca de 240 mil toneladas de café brasileiro entre 2025 e 2029, o que poderá render cerca de US$ 2,5 bilhões em receita.
Escalada comercial com os EUA impulsiona redirecionamento
A ampliação das exportações brasileiras de café para a China ocorre em um momento delicado: os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro, que entra em vigor no dia 6 de agosto. A medida, considerada uma retaliação dentro da disputa comercial entre os países, poderá impactar fortemente o setor exportador nacional.
Diante desse cenário, produtores e exportadores brasileiros avaliam redirecionar parte da produção para novos mercados, com destaque para a China, cuja demanda interna está em expansão.
O que a habilitação das empresas brasileiras representa?
A lista de 183 empresas habilitadas representa uma variedade de perfis — desde grandes exportadoras até produtores especializados em café especial. A autorização da GACC significa que essas companhias agora cumprem todos os requisitos sanitários, logísticos e administrativos exigidos pelo governo chinês para comercializar seus produtos diretamente com importadores locais.
Na prática, isso pode acelerar o fluxo de exportações, reduzir burocracias e facilitar acordos diretos entre empresas brasileiras e compradores chineses, fortalecendo a presença do café nacional na Ásia.
Fonte: Isto é dinheiro Foto: Freepik - slon e natanaelginting

