O estado de Santa Catarina, um dos maiores polos industriais do Brasil, está entre os mais prejudicados pela nova tarifa imposta pelos Estados Unidos. O presidente Donald Trump anunciou uma sobretaxa de 50% sobre as importações brasileiras, o que afetará diretamente o Produto Interno Bruto (PIB) do estado, segundo estimativas divulgadas pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). Se a medida não for alterada, a mudança entrará em vigor já na próxima sexta-feira, 1º de setembro.
O impacto esperado para o PIB catarinense é de uma queda de 0,31%, um número que reflete a gravidade da medida para a economia local, especialmente para setores como a indústria madeireira, que tem forte presença no Planalto Norte.
O impacto nas exportações e a preocupação no setor madeireiro
Santa Catarina é um dos maiores exportadores brasileiros de produtos para os Estados Unidos, com destaque para a indústria madeireira. Na região do Planalto Norte, as exportações para os EUA representam 42,5% da produção local, o que coloca a área entre as mais afetadas pela nova tarifa.Preocupados com a redução nas vendas e exportações, muitos empresários do setor madeireiro já tomaram medidas preventivas, como férias coletivas para seus trabalhadores. A expectativa é de que a queda nas exportações, especialmente para os EUA, reduza a produção e gere impactos no mercado de trabalho, afetando a economia local.
A decisão de Trump e suas implicações para o Brasil
Em julho de 2024, Donald Trump anunciou o aumento da tarifa sobre os produtos brasileiros de 10% para 50%, uma medida que, segundo especialistas, coloca o Brasil em desvantagem frente a outros países e blocos econômicos. A tarifa elevada, que é a mais alta entre os países que mantêm relações comerciais com os EUA, representa um grande desafio para as exportações brasileiras, especialmente para estados como Santa Catarina, cuja economia depende fortemente do comércio exterior.
O governo brasileiro, por sua vez, tem tentado negociar com as autoridades norte-americanas para reverter a decisão, com a estratégia de separar questões políticas de temas econômicos, priorizando a pauta comercial.
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A resposta da Fiesc e o Comitê de Crise
Preocupada com os efeitos econômicos, a Fiesc criou um Comitê de Crise para monitorar e tentar mitigar os impactos do tarifaço sobre a economia de Santa Catarina. Na segunda-feira, 28 de agosto, a Federação promoveu uma reunião online com cerca de 300 participantes, entre eles representantes de empresas, sindicatos e autoridades estaduais. Durante o encontro, foi lançada uma pesquisa para avaliar de forma mais precisa como as tarifas norte-americanas afetarão o setor industrial catarinense.
De acordo com Pablo Bittencourt, economista-chefe da Fiesc, a pesquisa visa entender as particularidades das empresas afetadas, como o porte e o endividamento das mesmas. A partir dessa análise, a Fiesc espera elaborar propostas para mitigar os danos e apresentá-las aos governos estadual e federal.
As exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos
Em 2024, Santa Catarina exportou quase 2 bilhões de dólares para os Estados Unidos, com destaque para produtos da indústria madeireira, motores elétricos, partes de motor e cerâmica. A forte dependência do mercado americano coloca o estado em uma posição vulnerável diante das novas tarifas, sendo crucial para as autoridades e empresários a busca por alternativas para minimizar os danos.
Fonte: G1 / Foto: NSC TV

