Em novembro de 2024, o Brasil reconquistou o certificado de eliminação do sarampo, um marco importante na saúde pública do país. Essa vitória, entretanto, é constantemente ameaçada pela globalização e pelas viagens internacionais, que podem reintroduzir doenças erradicadas, como o sarampo, especialmente quando há baixa cobertura vacinal.
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas, sendo facilmente transmitido entre indivíduos não vacinados. Se você é um viajante frequente ou tem filhos pequenos, entender a doença e como se proteger é essencial. Continue lendo para saber tudo sobre o sarampo, seus sintomas, complicações e, o mais importante, como a vacinação é a chave para sua prevenção.
O que é o sarampo?
O sarampo é uma infecção viral altamente contagiosa que afeta apenas os seres humanos. Apesar de ser evitável por meio da vacina, a doença ainda é uma causa significativa de mortes em crianças menores de 5 anos, especialmente em países com baixa cobertura vacinal.
O vírus se espalha principalmente por gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou até mesmo ao falar. Isso faz com que o sarampo seja extremamente transmissível, com uma taxa de contágio tão alta que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 outras pessoas não vacinadas.
Como o vírus é transmitido?
O sarampo é transmitido por via respiratória, e sua alta taxa de contágio é uma grande preocupação para especialistas em saúde pública. Para colocar isso em perspectiva, uma pessoa infectada pelo sarampo pode espalhá-lo para muitas mais pessoas do que a COVID-19. No auge da pandemia, o coronavírus tinha uma taxa de transmissão de cerca de 3,8, enquanto o sarampo pode alcançar até 18 pessoas.
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A infecção pode começar até 5 dias antes do aparecimento das erupções cutâneas e continuar até 4 dias após o surgimento das manchas na pele. Durante esse período, o risco de contágio é muito alto, e por isso a vacinação é crucial para evitar a propagação.
Sintomas e evolução do sarampo
O ciclo de infecção do sarampo é caracterizado por várias fases, começando com o período de incubação, onde a pessoa não apresenta sintomas. Após esse período, surge a fase inicial, conhecida como pródromo, que pode durar de dois a quatro dias. Durante essa fase, a pessoa apresenta sintomas típicos como febre alta, tosse, coriza e conjuntivite.
Em seguida, aparecem as manchas de Koplik, que são pequenas lesões brancas na mucosa da boca. Essas manchas duram entre 12 e 72 horas, e são um dos primeiros sinais visíveis da infecção. Após elas, surge o exantema – ou as manchas na pele –, que começam pela face e se espalham pelo corpo, com a piora da febre entre o terceiro e quarto dia.
Porém, a doença não é apenas uma simples erupção cutânea. Mesmo nos casos considerados "benignos", o sarampo pode enfraquecer o sistema imunológico, tornando o paciente vulnerável a outras infecções oportunistas, como pneumonia e otite média.
Complicações do sarampo
Embora mais de 90% dos casos de sarampo sejam leves, a doença pode levar a complicações graves. A mais comum delas é a pneumonia viral, mas outras complicações incluem diarreia intensa, otite média e até danos permanentes, como perda de visão. Em casos mais raros, podem ocorrer complicações neurológicas fatais, como a panencefalite esclerosante subaguda, que ocorre anos após a infecção, e a encefalomielite disseminada aguda.
Essas complicações tornam a vacinação uma medida ainda mais urgente, pois ela não só previne a infecção em si, mas também reduz drasticamente o risco de doenças secundárias graves.
A vacinação contra o sarampo
A vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) é a principal forma de prevenção. Ela utiliza vírus vivos atenuados, ou seja, vírus enfraquecidos que estimulam o sistema imunológico sem causar a doença. A vacina é administrada em duas doses no Brasil: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
Para adolescentes e adultos, a recomendação é de que pessoas entre 19 e 29 anos recebam duas doses, com intervalo de um mês entre elas, enquanto aqueles entre 30 e 59 anos devem receber uma única dose.
É importante frisar que, embora a vacina seja altamente eficaz, ela não garante 100% de proteção. Isso significa que uma pessoa vacinada ainda pode contrair o sarampo, mas provavelmente apresentará uma forma mais branda ou até atípica da doença.
Como se proteger além da vacinação?
A vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção, mas algumas precauções adicionais também podem ser úteis, especialmente para quem viaja internacionalmente. Se você vai visitar um país com surtos de sarampo, é essencial verificar se está com o esquema vacinal atualizado. Caso sua viagem seja próxima, tomar a vacina até duas semanas antes da viagem ainda oferece uma proteção de cerca de 93% contra a doença.
Se você viajar para um país onde o sarampo é endêmico ou está com surtos, além de estar vacinado, tome cuidado com locais fechados, onde o vírus pode se espalhar mais rapidamente.
Fonte: Einstein Hospital Israelita Foto: Freepik

